Fazer o trabalhador que concluiu os 5 módulos a distância demonstrar, em espaço confinado de treinamento controlado, que reconhece um espaço confinado, testa e usa o detector de gases, monta a ventilação, lê e confere a PET, atua como vigia e como trabalhador autorizado, ordena e executa o abandono, participa do resgate sem entrada e presta os primeiros socorros — com instrutor de comprovada proficiência, avaliação registrada e os dados que o certificado exige.
A capacitação inicial de vigia e de trabalhador autorizado tem 16 horas (NR-33, Anexo III, Quadro 1), e a parte prática precisa ter no mínimo 50% dessa carga (Anexo III, item 1.2). Nesta formação, 8 horas de teoria são feitas a distância, em 5 módulos (definições; riscos; equipamentos e medição; procedimentos e PET; resgate e primeiros socorros), e 8 horas são feitas nesta turma presencial, integralmente em exercício prático. A abertura, a revisão dirigida e a prova teórica acontecem fora dessas 8 horas: a turma dura 9h40, sem contar os intervalos.
A prática não pode ser feita a distância: a NR-01, subitem 1.7.9.1, só admite conteúdo prático a distância ou semipresencial quando previsto em NR específica, e a NR-33 não prevê. Este roteiro garante que toda aplicadora credenciada dê a mesma turma, com o mesmo programa, os mesmos critérios e os mesmos registros.
Os equipamentos usados na turma devem ser escolhidos para situações parecidas com as do local de trabalho dos alunos (Anexo III, item 2.2). Por isso a aplicadora pergunta antes à empresa de cada aluno qual é o tipo de espaço confinado em que ele vai trabalhar e monta o cenário a partir disso.
| Conteúdo do Anexo III, 2.1, alínea b | Onde aparece na turma |
|---|---|
| I — definições | Revisão dirigida; identificação do espaço confinado |
| II — reconhecimento, avaliação e controle de riscos | Identificação e sinalização; medição da atmosfera; ventilação; controle de energias |
| III — funcionamento de equipamentos utilizados | Detector multigás; ventilador ou exaustor; tripé com guincho; cinturão; rádio |
| IV — procedimentos e utilização da PET | Leitura e preenchimento da PET; exercício de entrada; abandono |
| V — noções de resgate e primeiros socorros | Resgate sem entrada; RCP e DEA |
A NR-33 exige que os instrutores tenham comprovada proficiência no conteúdo que ministram (33.6.4); o glossário da norma define proficiência como competência, aptidão, capacitação e habilidade aliadas à experiência. A capacitação deve considerar o tipo de espaço confinado e as atividades desenvolvidas, e essas informações, junto com a anuência do responsável técnico da empresa (item 33.3.2), precisam constar no certificado (33.6.5). Sem esses dados não se emite certificado.
| Papel | Quem é | O que faz | Assina? |
|---|---|---|---|
| Instrutor | Profissional da aplicadora com proficiência comprovada em espaço confinado (formação, experiência e documentos que a demonstrem) | Monta o cenário, conduz os blocos, faz o papel de supervisor de entrada no exercício, observa cada aluno, interrompe diante de risco e preenche a ficha individual | Sim: lista de presença, fichas e avaliação |
| Responsável técnico da empresa do aluno | Profissional legalmente habilitado ou qualificado em segurança do trabalho, indicado formalmente pela empresa (33.3.1, alínea a) | Coordena a capacitação inicial dos vigias e trabalhadores autorizados (33.3.2, alínea f); informa o tipo de espaço confinado e as atividades; dá a anuência | Sim: termo de anuência, antes da turma ou na abertura |
| Aluno | Futuro vigia ou trabalhador autorizado, com os 5 módulos concluídos e o ASO com a aptidão consignada | Executa cada exercício com as próprias mãos, nos dois papéis; pode interromper diante de risco grave e iminente (NR-01, 1.4.3) | Sim: lista de presença, prova e ficha |
| Empresa do aluno | O empregador | Envia os dados do espaço confinado, a indicação do responsável técnico e a anuência; libera o tempo, que é de trabalho efetivo (NR-01, 1.7.2) | Pelo responsável técnico |
Aluno sem ASO com a aptidão consignada não participa dos exercícios de entrada nem do resgate. Aluno sem tipo de espaço confinado ou sem anuência pode assistir, mas a turma não fecha: o certificado fica retido até a empresa enviar os dados, e se o tipo informado depois for diferente do cenário treinado, o responsável técnico avalia se é preciso complementar a prática.
No dia anterior ou antes de os alunos chegarem, o instrutor inspeciona a estrutura de treino e todos os equipamentos, faz o auto-zero e o teste de resposta dos detectores (33.5.15.5), confere a validade da calibração em laboratório acreditado pelo Inmetro (33.5.15.6), testa os rádios e monta o tripé uma vez para conferir estabilidade e travas. Equipamento reprovado é separado e não entra na turma.
| Item | O que ter em mãos |
|---|---|
| Espaço confinado de treino | Estrutura construída para treinamento (tanque, galeria ou poço simulado), limpa, sem produto, com abertura por cima e, se possível, abertura lateral, compatível com o tipo de espaço confinado dos alunos; ponto de ancoragem ou área para o tripé; ponto de bloqueio simulado (válvula e seccionadora) |
| Medição | Detector multigás de leitura direta (O2, inflamáveis e tóxicos do cenário), com manual em português, alarme sonoro, visual e vibratório, bomba de amostragem e mangueira; cilindro de gás de teste para o teste de resposta; certificado de calibração |
| Ventilação | Ventilador ou exaustor com duto, adequado a área classificada quando o cenário simular essa condição |
| Resgate | Tripé com guincho e trava-quedas retrátil com recuperação; cinturão tipo paraquedista com ponto dorsal ou peitoral para cada autorizado; talabarte; manequim de resgate |
| EPI | Capacete com jugular, óculos, luvas, protetor auricular, vestimenta; respirador conforme o cenário, para demonstração |
| Sinalização e isolamento | Placa com o modelo do Anexo I; sinalização provisória de entrada liberada ou não liberada (33.5.13.4); cones, fita e barreira |
| Documentos | PET em branco no modelo do Anexo II, em duas vias; uma PET preenchida com erros para exercício; cadastro fictício do espaço de treino; plano de resgate do cenário; lista de presença; fichas individuais; provas |
| Comunicação | Rádios testados, apito ou buzina e sinal combinado para abandono |
| Primeiros socorros | Manequim de RCP, DEA de treino, luvas de procedimento, máscara de bolso |
Os intervalos, a abertura, a revisão dirigida e a prova teórica não entram nas 8 horas de prática: a prática vai de 1h00 a 9h00. A turma deve ter tamanho que permita a cada aluno fazer pelo menos uma entrada como trabalhador autorizado e uma vigilância completa como vigia dentro do horário; se não couber, divide-se a turma ou acrescenta-se instrutor. Em cada bloco o instrutor demonstra uma vez e depois cada aluno executa sozinho, dizendo em voz alta o que faz e por quê.
| Horário | Atividade | Competência praticada | Item da norma |
|---|---|---|---|
| 0h00–0h20 | Abertura | Confere documentos e ASO; registra o código da turma, o tipo de espaço confinado de cada aluno, o responsável técnico e a anuência; regras de segurança da turma e sinal de abandono | 33.5.19.2; 33.6.5 |
| 0h20–1h00 | Revisão dirigida (teoria, fora da carga prática) | Os três requisitos do espaço confinado; atmosfera perigosa; engolfamento; papéis do supervisor, do vigia e do autorizado; as quatro proibições de entrada | 33.2.2; 33.2.2.1; 33.2.2.2; 33.3.3 a 33.3.5; 33.7.1 |
| 1h00–1h40 | Identificar e sinalizar | Diz se cada caso apresentado é ou não espaço confinado e por quê; isola a área; posiciona a sinalização permanente e a provisória | 33.2.2; 33.5.13.1; 33.5.13.4 |
| 1h40–2h50 | Detector de gases | Inspeciona o aparelho; faz auto-zero em ar limpo e teste de resposta; reconhece cada alarme; mede com bomba e mangueira pela abertura, sem entrar, em três alturas (alto, meio e fundo), esperando o tempo de resposta do manual; compara as leituras com a PET | 33.5.15.1; 33.5.15.2; 33.5.15.4; 33.5.15.5; Anexo II |
| 2h50–3h30 | Ventilação | Escolhe a posição do ventilador ou exaustor e do duto para renovar o ar do espaço inteiro; confirma que nunca se ventila com oxigênio puro; mede de novo após a ventilação | 33.5.16.1; 33.5.16.3 |
| 3h30–4h10 | Controle de energias | No ponto simulado, acompanha o isolamento, aplica o próprio cadeado e a etiqueta preenchida e verifica a ausência de energia; explica por que desligar só pelo comando não isola | 33.5.14.1; 33.5.14.2; 33.5.14.4 |
| 4h10–4h50 | PET | Preenche a PET do cenário com as medições feitas; na PET com erros, aponta o campo que proíbe a entrada; diz quando a PET é encerrada e qual é a validade | 33.5.5; 33.5.6; 33.5.11; 33.5.12; Anexo II |
| 4h50–6h30 | Exercício de entrada com troca de papéis | Instrutor como supervisor de entrada. Vigia: confere nomes na PET, controla a contagem, fica junto à entrada em comunicação contínua e não faz outra tarefa. Autorizado: entra conectado ao tripé, com detector pessoal ligado, informa o que vê e sente. Os papéis trocam até todos passarem pelos dois | 33.3.4; 33.3.5; 33.5.15.3 |
| 6h30–7h10 | Comunicação e abandono | Diante de alarme, sintoma, falha de rádio ou condição não prevista simulados, o vigia ordena o abandono, o autorizado sai sem concluir a tarefa, o vigia confere a contagem e comunica o supervisor; a PET é encerrada | 33.3.4, alíneas f e h; 33.5.11; Anexo II (Atenção) |
| 7h10–8h10 | Resgate sem entrada | Monta o tripé com guincho; com o manequim conectado dentro do espaço, o vigia aciona a equipe de emergência pelo meio previsto e opera o guincho para a retirada vertical, sem entrar | 33.3.4, alíneas d e e; 33.5.20.2 |
| 8h10–9h00 | Primeiros socorros | Verifica a segurança da cena; reconhece que a vítima de atmosfera perigosa só é atendida fora do espaço; faz RCP no manequim e usa o DEA de treino até a chegada do socorro | Anexo III, 2.1, b, V |
| 9h00–9h40 | Avaliação teórica e encerramento (fora da carga prática) | Faz a prova; recebe a devolutiva individual; confere e assina a lista e a ficha | 33.6.3 |
A NR-33 exige que o treinamento seja avaliado de modo a aferir os conhecimentos adquiridos (33.6.3). Nesta formação a avaliação tem duas partes, e o aluno precisa ser aprovado nas duas.
Prática: o instrutor marca cada item da ficha individual como Atendeu ou Não atendeu durante os exercícios. Atendeu só quando o aluno executou sozinho e corretamente. Nos itens não eliminatórios, o instrutor pode corrigir e deixar repetir dentro das 8 horas. Todos os itens precisam estar atendidos: não existe aprovação com ressalva.
Teórica: prova presencial, escrita e assinada, com questões de situação (leitura de detector, PET com campo faltando, sintoma relatado pelo autorizado, alarme durante a entrada). Critério desta formação: no mínimo 70% de acerto. Quem não atinge refaz a prova depois de revisar com o instrutor os pontos errados, no mesmo dia ou em nova data.
Eliminatória é a conduta que, fora da turma, mata. Quando acontece, o instrutor interrompe na hora, registra na ficha e o resultado é não apto.
Tudo é digitalizado inteiro e legível e enviado pela plataforma. A conferência verifica presença, carga horária, fichas, prova, tipo de espaço confinado e anuência; faltando qualquer um, volta para correção e o certificado não sai.
O certificado reúne o exigido pela NR-01, subitem 1.7.1.1 — nome e assinatura do trabalhador, conteúdo programático, carga horária, data, local, nome e qualificação dos instrutores e assinatura do responsável técnico do treinamento — e o exigido pela NR-33, subitem 33.6.5: tipo de espaço confinado, atividades desenvolvidas e anuência do responsável técnico. Uma cópia fica na empresa (NR-01, 1.7.3). O treinamento periódico é anual, de 8 horas, com no mínimo 50% de prática (Anexo III, Quadro 1 e item 1.2). O curso a distância "NR 33 - Reciclagem (Aperfeiçoamento)" não substitui esse periódico.