NR 10 – Curso Básico (40 horas) | Etapa prática presencial – roteiro do instrutor e da empresa aplicadora
Roteiro da etapa prática – Curso Básico de NR-10, 8 horas presenciais
Este roteiro é o conteúdo da etapa prática do Curso Básico de NR-10. Ele existe
para que qualquer empresa ou instrutor credenciado aplique a mesma aula, com as mesmas estações,
os mesmos exercícios e os mesmos critérios — e para que o aluno saiba exatamente o que vai
acontecer no dia. A plataforma registra a turma, emite a lista de presença, confere as
assinaturas e emite os certificados a partir deste roteiro.
Base legal. Hoje vale a NR-10 de 2019: o Anexo III do Curso Básico exige prática de
combate a incêndio (item 12 "d") e de primeiros socorros (item 14 "f"), e a
NR-01 (1.7.9.1) só admite prática a distância quando a NR específica permite — a NR-10 não
permite. A nova NR-10 (Portaria MTE 737/2026, a partir de 01/06/2027) divide o
Básico em parte A (teórica) e B (prática), manda praticar os itens
7, 8, 10, 11, 12 e 13 (item 14) e escreve que o conteúdo prático deve ser presencial
(10.9.13). Este roteiro já atende as duas redações. As
32 horas teóricas da formação são cursadas a distância e não se
repetem aqui; estas 8 horas são inteiramente práticas, aplicadas por
instrutor qualificado, com responsável técnico pelo treinamento (NR-01, 1.7.1.1); na nova NR-10,
instrutor com proficiência comprovada sob responsabilidade de profissional legalmente habilitado (10.9.12).
1. Antes da turma: o que a empresa aplicadora garante
| Item | Requisito |
| Instrutor | Proficiência comprovada nos assuntos praticados (formação e experiência em instalações elétricas), capacitado em combate a incêndio e primeiros socorros. Nome, função e registro constam da turma e da lista de presença. |
| Responsável técnico | Profissional legalmente habilitado (engenheiro com registro no conselho) responde pelo treinamento; seu nome e registro vão no certificado. |
| Turma | Máximo recomendado de 12 participantes por instrutor; 1 instrutor para cada 6 nas estações de manobra e de socorros. Turma aberta na plataforma com data, local e participantes matriculados na formação. |
| Participante | Os 8 módulos teóricos concluídos (é o que dá sentido à prática) e exame médico compatível apresentado à empresa — a autorização da NR-10 depende dele. Sem os módulos, participa e refaz a prática depois; sem exame, não opera na bancada energizada. |
| Local | Sala para a discussão de caso; área prática com bancada didática ou painel de treinamento (QGBT/CCM desativado ou bancada com fonte protegida), com: dois alimentadores possíveis, dispositivo de seccionamento acessível, barramento visível, DR instalado, ponto de aterramento. Piso firme, área isolável, iluminação. Área externa ou ventilada para o extintor. |
Equipamentos (1 conjunto para cada 2 participantes, no mínimo) |
Luvas isolantes classe compatível + luvas de cobertura (vaqueta); capacete classe B com jugular; óculos e protetor facial para arco; vestimenta com ATPV; calçado isolante; detector de tensão adequado à faixa + fonte conhecida para o teste antes/depois; conjunto de aterramento temporário com bastão; cadeados de bloqueio (um por participante) + garra múltipla + etiquetas; manta e tapete isolante; barreiras, cones e fita de sinalização; ferramentas isoladas 1 000 V; multímetro/alicate com categoria compatível; extintores de CO₂ e de pó (recarregáveis, para treino) e bandeja de fogo ou simulador; manequim de RCP e DEA de treino; talas, ataduras e maca ou prancha; conjunto reprovado (luva furada, absorvedor/etiqueta vencidos, mosquetão sem trava, detector sem bateria) para a estação de inspeção. |
| Documentos | Lista de presença emitida pela plataforma (com o código da turma); este roteiro; formulário de análise de risco e permissão de trabalho em branco; ficha de inspeção de EPI; fichas de avaliação prática por participante; um caso de acidente real (da empresa ou da aula 8) para a discussão. |
2. Programa das 8 horas
Horários de referência para um dia único (8h às 17h, com 1 h de almoço). Pode ser dividido em
dois períodos de 4 h em dias consecutivos, mantendo a sequência. Cada bloco indica, entre
colchetes, os itens da etapa prática que ele cumpre — os mesmos 12 que a
plataforma imprime na lista de presença.
08h00 – 08h30 Abertura, registro e regras da área (30 min)
- Assinatura da lista de presença ao lado do próprio nome; conferência de documento com foto.
- Apresentação do instrutor, do responsável técnico, do programa e dos critérios de aprovação.
- Conferência de quem concluiu os 8 módulos e apresentou exame médico.
- Regras da área prática: EPI o dia todo; ninguém opera sem instrutor ao lado; sem adornos (relógio, aliança, corrente, crachá com presilha metálica); celular fora da bancada.
- Análise de risco da própria aula, feita com a turma em 10 minutos — é o primeiro exercício e vale como demonstração do Módulo 3.
08h30 – 09h30 Estação 1 — EPI e ferramentas: inspeção que reprova itens 7 e 8
- Inspeção do conjunto de EPI, peça por peça, com a ficha de seis itens: luva isolante (fitas, corte, ressecamento, aspecto pegajoso), cobertura de vaqueta, capacete classe B, óculos e protetor facial para arco, vestimenta com ATPV, calçado.
- Teste de estanqueidade da luva isolante: inflar (enrolando o punho ou com inflador), fechar, apertar, ouvir; inspeção por dentro e por fora com a luva virada. Cada participante faz na sua luva.
- Conferência do CA e da data do ensaio elétrico das luvas; o que fazer com prazo vencido ou etiqueta ilegível.
- Conjunto reprovado: cada dupla recebe um conjunto com defeitos e precisa dizer, item a item, o que reprova e por quê. O instrutor confere.
- Ferramentas isoladas 1 000 V e instrumentos: leitura da categoria (CAT), estado das pontas de prova, o que não entra no painel.
- Guarda: como a luva volta para a embalagem, longe de calor, sol, óleo e ferramenta.
09h30 – 10h30 Estação 2 — Proteção coletiva, ensaio do DR e delimitação itens 5 e 6
- Reconhecimento no equipamento das proteções existentes: isolação das partes vivas, barreiras e invólucros (grau IP), obstáculos, colocação fora de alcance, aterramento de proteção e equipotencialização no quadro. Cada participante aponta e nomeia.
- Ensaio do dispositivo DR pelo botão de teste, com leitura do resultado e do que significa não desarmar; diferença entre o que o disjuntor protege e o que o DR protege.
- Delimitação da área de trabalho: montagem da barreira, posicionamento do tapete isolante, sinalização de segurança e etiqueta de impedimento. O grupo monta e o instrutor derruba o que estiver errado (sinal virado para dentro, área pequena demais, tapete sobre piso molhado).
- Zonas de aproximação: marcação no chão dos raios de risco e controlado para a tensão da bancada.
10h30 – 10h45 Intervalo
10h45 – 12h00 Estação 3 — Desligar × desenergizar, e a sequência completa itens 1, 2 e 3
- Demonstração no mesmo painel: o instrutor desliga o disjuntor e pede que um participante meça — a bancada mostra tensão remanescente no segundo alimentador. É a diferença entre desligado e desenergizado, sentida e não contada.
- Sequência completa de desenergização, executada por cada dupla, na ordem, em voz alta: seccionar (identificando o circuito certo no diagrama) → impedir a reenergização (cadeado de cada um + etiqueta) → constatar ausência de tensão → aterrar (estação 4) → proteger as partes vivas na zona controlada → sinalizar.
- Detector de tensão: teste do instrumento em fonte conhecida antes, medição em cada ponto que a mão vai tocar e em todas as fases (fase-terra e fase-fase), teste do instrumento depois. O instrutor entrega, em algum momento, um detector com bateria fraca — quem não fizer o teste "depois" não percebe.
- Bloqueio de grupo: garra múltipla ou caixa de bloqueio com um cadeado por participante; o exercício só libera quando o último cadeado sai.
- Energias que a chave não desliga: identificação, na bancada, de capacitor, bateria/nobreak e geração própria — e como cada uma é tratada.
12h00 – 13h00 Almoço
13h00 – 14h00 Estação 4 — Aterramento temporário e reenergização item 4
- Instalação do conjunto de aterramento temporário: escolha do conjunto pela corrente de curto do ponto, inspeção de garras, cabos e bastão, e a ordem correta — primeiro a terra, depois as fases, com bastão isolante e EPI completo.
- Retirada na ordem inversa: fases primeiro, terra por último. Cada participante executa.
- Reenergização pela sequência espelho, com o grupo inteiro: ferramentas fora → pessoas fora da zona → aterramento retirado → sinalização retirada → cadeados retirados (cada um o seu) → religar. O instrutor deixa propositalmente uma ferramenta na bancada ou um cadeado no dispositivo: a equipe precisa perceber antes de religar.
- Registro: preenchimento da liberação e do encerramento do serviço (quem seccionou, onde bloqueou, resultado da medição, onde aterrou, hora).
14h00 – 15h00 Estação 5 — Incêndio em instalação elétrica item 10
- Reconhecimento do agente: por que classe C se combate com CO₂ ou pó e por que água e espuma eletrocutam quem segura o extintor; o que muda quando a instalação é desenergizada.
- Manuseio do extintor, cada participante com o seu: retirada do lacre e do pino, empunhadura (CO₂ pela alça, nunca pelo difusor, que congela), acionamento, aproximação a favor do vento, varredura da base do fogo, recuo sem dar as costas.
- Simulação de princípio de incêndio em painel (bandeja ou simulador junto ao painel de treinamento): a equipe executa a sequência inteira — não abrir a porta, seccionar a alimentação a montante, acionar alarme/brigada, combater com CO₂ pela abertura, e a decisão de sair quando um extintor não resolve.
- Conferência dos extintores da própria área: classe, lacre, manômetro, etiqueta de inspeção, desobstrução.
15h00 – 15h15 Intervalo
15h15 – 16h15 Estação 6 — Primeiros socorros na vítima de choque itens 11 e 12
- Cena segura primeiro: com a bancada energizada, a equipe treina a decisão — ninguém toca a vítima antes de interromper a fonte; onde fica o dispositivo que corta; como afastar com material isolante e seco quando não há como interromper; por que em alta tensão não se aproxima.
- Avaliação: responde? respira normalmente? (respiração agônica não conta) — e a chamada ao socorro com a informação certa: choque elétrico, tensão, se respira, local exato.
- RCP no manequim: 100 a 120 compressões por minuto, 5 a 6 cm, retorno completo do tórax, revezamento a cada 2 minutos. Cada participante executa pelo menos 2 minutos, com o instrutor corrigindo mão, braço e ritmo.
- DEA de treino: ligar, colar as pás, ninguém toca na análise, choque, voltar a comprimir imediatamente.
- Queimadura elétrica: por que a marca pequena esconde lesão profunda; resfriamento da queimadura térmica por arco com água corrente; o que não se passa; retirada de anéis e relógio; encaminhamento obrigatório ao serviço médico.
- Imobilização, remoção e transporte: imobilizar como está com talas improvisadas; estabilização da cabeça na suspeita de coluna; quando não mover; técnica de remoção em bloco com prancha ou maca, com um comando só, praticada pelo grupo.
16h15 – 17h00 Discussão de caso, avaliação e encerramento item 9
- Discussão em grupo de um acidente real de origem elétrica — da empresa, quando houver, ou um dos casos da aula 8 — com as três perguntas: qual foi a causa direta; quais barreiras existiam e qual furo cada uma tinha; o que muda a partir de amanhã. Fechamento: "o equivalente deste caso aqui é ____; quem cuida até ____ é ____".
- Avaliação prática: ficha por participante, preenchida ao longo do dia; itens eliminatórios conferidos.
- Devolutiva individual; registro dos aprovados; assinatura de saída na lista de presença.
- Envio da lista assinada pela plataforma; conferência automática; emissão dos certificados da etapa prática.
3. Critérios de aprovação
| Item avaliado | Critério | Eliminatório? |
| Presença | 8 horas completas, com assinatura de entrada e saída | Sim |
| EPI | Inspeciona o conjunto, faz o teste de estanqueidade e reprova o conjunto defeituoso | Sim |
| Detector de tensão | Testa o instrumento antes e depois e mede em cada ponto e fase | Sim |
| Sequência de desenergização | Executa as seis etapas na ordem, sem pular o bloqueio | Sim |
| Bloqueio | Aplica o próprio cadeado e só o retira ao final; não aceita cadeado único de grupo | Sim |
| Aterramento temporário | Instala terra primeiro, fases depois; retira na ordem inversa | Sim |
| Reenergização | Confere ferramentas, pessoas, aterramento, sinalização e cadeados antes de religar | Sim |
| Extintor | Escolhe o agente correto para classe C e executa a sequência sem abrir o painel | Sim |
| Socorro | Interrompe a fonte antes de tocar a vítima e executa compressões com técnica | Sim |
| Proteção coletiva e delimitação | Reconhece as proteções, ensaia o DR e delimita a área corretamente | Não (registra observação) |
| Discussão de caso | Participa com as três perguntas; não atribui o acidente a "falha humana" | Não (registra observação) |
| Imobilização e remoção | Imobiliza como está e participa da remoção em bloco | Não (registra observação) |
Participante reprovado em item eliminatório repete a estação no mesmo dia, se houver tempo, ou
em nova turma. Não se emite certificado "com ressalva".
4. Registros que a turma produz
- Lista de presença da plataforma, com o código da turma, os itens praticados, assinada na entrada e na saída por cada participante, pelo instrutor e pelo responsável técnico — enviada pela plataforma para conferência.
- Fichas de avaliação prática por participante, com os itens da tabela acima, assinadas pelo instrutor — arquivadas pela empresa aplicadora e disponíveis à fiscalização.
- Fichas de inspeção de EPI preenchidas na estação 1 e a análise de risco da aula, como evidência da prática.
- Registros de liberação e encerramento preenchidos na estação 4.
- Certificado da etapa prática, emitido pela plataforma após a conferência, com o aviso de que comprova somente a etapa prática — o certificado do Curso Básico sai quando os 8 módulos, a avaliação e a prática estiverem cumpridos.
5. Segurança da própria aula
- A bancada ou painel de treinamento é inspecionado pelo instrutor antes da turma: proteções no lugar, DR funcionando, aterramento disponível, sem improviso.
- Nenhuma prática em alta tensão e nenhuma intervenção energizada pelos participantes: o que é energizado fica com o instrutor, e a turma mede, observa e delimita.
- Ninguém opera sem EPI completo e sem instrutor ao lado; adornos ficam fora da área.
- Extintor real, fogo controlado, área ventilada, ninguém sozinho na bandeja; CO₂ com atenção ao congelamento do difusor.
- Plano de emergência da turma definido antes: quem desliga o quê, quem chama, por onde se sai, onde está o kit de primeiros socorros.
- Condição impeditiva — piso molhado, chuva em área externa, equipamento reprovado, participante indisposto — suspende a estação. O roteiro se aplica ao próprio treinamento.
Checklist do instrutor — véspera da turma
- Turma aberta na plataforma; lista de presença impressa com o código e os 12 itens.
- Módulos concluídos e exames médicos solicitados aos participantes.
- Bancada/painel inspecionado; dois alimentadores preparados; DR funcionando; ponto de aterramento disponível; área isolável.
- Conjuntos de EPI conferidos e em número; conjunto reprovado separado e identificado; detector com bateria fraca separado para o exercício.
- Conjunto de aterramento, cadeados (um por participante), garra múltipla, etiquetas, tapete, manta, barreiras e sinalização.
- Extintores de CO₂ e pó carregados; bandeja de fogo; área ventilada.
- Manequim de RCP, DEA de treino, talas, prancha/maca, kit de primeiros socorros.
- Formulários: análise de risco, permissão, ficha de inspeção de EPI, fichas práticas; caso real para a discussão.
- Plano de emergência da turma definido; comunicação testada.
Base: NR-10 — Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade: Anexo III
(Curso Básico, itens 12 "d" e 14 "f" — prática de incêndio e de primeiros socorros); NR-01, 1.7.9.1
(prática presencial) e 1.7.1.1 (certificado com instrutores e responsável técnico); nova NR-10, a partir
de 01/06/2027: Anexo III partes A e B, item 14, e itens 10.9.12 e 10.9.13, e capítulo de segurança em instalações desenergizadas
(sequência de desenergização e de reenergização); NR-01, Anexo II (registro e certificação);
NR-06 (EPI); NR-23 (proteção contra incêndios). Roteiro elaborado pela Cursos NRs para aplicação
por empresas e instrutores credenciados; em caso de divergência prevalece o texto oficial da
norma.